sábado, 9 de maio de 2009

Redes "realmente" sem fios.

Você chega a um shopping ou aeroporto, liga seu notebook e pode imediatamente se conectar à internet. E todos chamamos isso de rede sem fios. Mas será que essa rede realmente prescinde dos fios?

Do ponto de vista de um engenheiro de telecomunicações, a resposta é não. O problema é que é necessário um cabo para que o sinal possa chegar até o roteador. Apenas a partir dele é que a conexão fica disponível "sem fios", mas apenas dentro de uma área restrita.

Nós intercomunicantes

Isso acontece porque é caro e tecnologicamente difícil criar redes realmente sem fios em grandes áreas, para cobrir uma cidade inteira, por exemplo.

Mas esses problemas agora poderão ser resolvidos graças ao trabalho da equipe do professor Andreas Kassler, da Universidade de Karlstad, na Suécia. A pesquisa contou com a participação do brasileiro Marcel Cavalcanti de Castro, cientista da computação formado pela Universidade Federal de Goiás.

A ideia é que os nós da rede - os pontos de acesso - comuniquem-se entre si, trocando dados diretamente, em vez de cada um deles ter uma conexão a cabo com a internet.

Múltiplas placas de rede

Hoje essa tecnologia tem um empecilho grave: a capacidade de transmissão de dados da rede cai rapidamente à medida que são acrescentados novos nós, porque cada um deles gasta tempo e largura de banda comunicando-se com os demais.

O Dr. Kassler resolveu o problema equipando cada um dos nós da rede com várias placas de rede e fazendo-as trocar dados em várias frequências diferentes simultaneamente. Os ganhos são exponenciais, garantindo que a capacidade de transmissão de dados da rede não sofrerá nenhuma degradação.

Testes com VoIP

A pesquisa chamou a atenção das operadoras e empresas de telefonia porque o sistema é muito mais barato de ser instalado do que a colocação de cabos até cada um dos pontos de acesso à internet que se deseja implantar.

A tecnologia será testada pela Deutsche Telekom durante um ano. Inicialmente os testes incluirão os laboratórios da empresa e a Universidade de Karlstad. A seguir, a avaliação será levada para um ambiente urbano real de Berlim. Os testes serão focados na telefonia por IP.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O Google irá prever o futuro das pessoas?!

Pesquisadores do Google demonstraram que os termos usados nas pesquisas do maior mecanismo de busca do mundo podem não apenas mostrar o que as pessoas estão fazendo, o que as está preocupando e no que estão pensando, como também pode revelar o futuro.

Os pesquisadores Hyunyoung Choi e Hal Varian juntaram a estatística dos termos mais procurados no Google, relacionados a áreas como viagens e vendas de imóveis, com os modelos que os economistas normalmente utilizam para prever o que vai acontecer nesses mercados.

O resultado foi uma melhoria substancial no poder de previsibilidade dos modelos econométricos, que passaram a prever melhor o que acontecerá nos próximos meses em cada um dos mercados estudados.

O grande problema das Ciências Humanas

Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelas Ciências Humanas é que o estudo das pessoas exige que se ouça essas pessoas. Além do tempo, do custo e da dificuldade de ouvi-las, montando amostragens estatísticas verdadeiramente representativas, é virtualmente impossível garantir que as pessoas estejam sendo sinceras ao responderam aos questionários.

Isso tem feito com que os cientistas vejam com entusiasmo os dados registrados pelos mecanismos de buscas, pelas lojas virtuais e pelos diversos tipos de sites de relacionamentos porque eles permitem que se analise o que as pessoas estão de fato fazendo e como elas pensam, sem o viés normalmente verificado nas entrevistas e nas pesquisas.

Prevendo o futuro com o Google

Contudo, esta é a primeira vez que se demonstra que os mecanismos de buscas também poderão ser utilizados para se prever o futuro, sobretudo da economia.
Segundo a revista New Scientist, cientistas do Google já haviam demonstrado anteriormente ser possível utilizar os dados de buscas do mecanismo para prever surtos de gripe.

Já o economista Erik Feyen, do Banco Mundial, afirmou o modelo usado pela instituição para prever a inadimplência (falta de pagamento) no setor privado teve seus erros diminuídos em 15% com a utilização de dados dos mecanismos de buscas associados com pagamentos e renegociações.

Novamente segundo análise da New Scientist, análises dos dados dos mecanismos de busca feitas em tempo real poderão ser ainda mais poderosas na previsão do futuro: saber o que as pessoas estão de fato fazendo num determinado instante, e não apenas intencionando fazer, é um indicador forte e seguro de consequências que se seguirão no futuro.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Conheça os carros inteligentes

Dois carros estão para se cruzar em uma estrada quando, de repente, um animal entra lentamente na pista à frente de um deles. Na fração de segundo disponível para reagir, resta ao motorista conscientizar-se de que não há tempo para frear e que desviar poderá resultar em uma colisão fatal com o veículo que vem em sentido contrário. Um acidente, qualquer que seja ele, parece inevitável.

Carros inteligentes

Mas não por muito tempo, a depender do trabalho dos engenheiros do Instituto Fraunhofer, na Alemanha. Eles estão iniciando os testes de um sistema que permite que os carros coordenem seus movimentos sem a necessidade de ação dos motoristas.

Os carros formam uma rede informatizada através da comunicação sem fios carro a carro. Na iminência de um acidente, o sistema assume o controle dos carros envolvidos na situação, fazendo com que cada um tome ações para evitar o acidente e evitar colisões uns com os outros.
Na situação do nosso exemplo, um dos carros poderia frear enquanto o outro usa a sua pista para desviar-se do animal. Tudo feito em uma fração de segundo, antes que o motorista tivesse tempo para reagir.

Piloto automático de verdade

O software permite que os veículos sejam dirigidos de forma automática por curtos períodos de tempo. Para detectar os diversos tipos de riscos, eles são equipados com diversos tipos de sensores, incluindo GPS, radar e câmeras.

Os veículos formam grupos cooperativos assim que entram no raio de alcance da rede sem fios uns dos outros. Como seus destinos e velocidades variam, os grupos estão em constante mudança, alterando-se dinamicamente para sempre incorporar os veículos na mesma área e que possam envolver-se em situações perigosas, entre eles próprios ou pela ação de um terceiro que ameace a todos do grupo.

O software elege automaticamente um dos veículos como coordenador do grupo, capturando a situação de cada um dos outros, como direção, velocidade e distância.

Reconhecendo o perigo

Se um perigo surge inesperadamente, como um animal que entra na pista, o problema é reconhecido não apenas pelo carro afetado diretamente pela situação, mas também pelo coordenador do grupo.

Se o carro em questão não pode nem frear e nem desviar porque há um outro carro nas proximidades, o coordenador do grupo toma as ações necessárias na ordem adequada para livrar a todos o acidente.

O sistema ainda está em fase de desenvolvimento. A formação dos grupos e a "eleição" do coordenador são estão totalmente funcionais. Agora os engenheiros estão aprimorando a capacidade do sistema em reconhecer situações que são de fato perigosas.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Robô ajuda na interação social de autistas


Começa nesta semana o uso de mais um robô destinado a ajudar na recuperação de crianças com problemas de saúde. Neste caso, o objetivo é criar uma ferramenta adicional para desenvolver a capacidade de interação social em crianças com autismo.

Pele artificial

O robô Kaspar tem como principal característica a pele artificial, dotada de uma série inumerável de sensores tácteis destinados a dar-lhe uma "percepção" ao toque.
"As crianças com autismo têm problemas com o toque, tanto com tocar quanto com serem tocadas," diz o professor Kerstin Dautenhahn, da Universidade Hertfordshire, na Inglaterra.
Distribuindo os sensores de forma coordenada ao longo das várias partes do corpo de Kaspar, o robô conseguirá reagir aos diferentes tipos de toques feitos pelas crianças, fazendo-o emitir comentários pré-gravados que encorajem ou desencorajem novas ações do mesmo tipo.

Interação pelo toque

O objetivo é, além de incentivar as crianças à interação direta através do toque, ensinar-lhes interações "socialmente apropriadas", que sejam agradáveis e não agressivas.
Os pesquisadores esperam que as crianças sintam-se mais à vontade para interagir com o robô do que se sentem com as pessoas.

A socialização inicial com um "amigo" mais passivo poderá depois ser estendida para a interação direta com outras crianças, com a criança autista já possuindo uma educação que auxilie sua aceitação pelas outras.

terça-feira, 5 de maio de 2009

LED que emite luz branca

Cientistas chineses divulgaram uma nova técnica para a fabricação de LEDs que os coloca mais próximos da utilização para iluminação em larga escala, em substituição às lâmpadas incandescentes e às lâmpadas fluorescentes compactas.

Eficiência energética

Os LEDs ("Light Emitting Diode"), ao contrário das atuais lâmpadas, são fontes de luz de estado sólido. Uma lâmpada incandescente transforma apenas 5% da energia que consome em luz. Uma lâmpada fluorescente compacta, ou PL, tida como de alta eficiência, aproxima-se dos 20%, mas à custa da utilização de vapor de mercúrio em seu interior.

Os LEDs, por seu lado, têm taxas de eficiência entre 30 e 50%, dependendo da tecnologia com que são fabricados, além de durarem dezenas de vezes mais do que as lâmpadas PL.

LED com estrutura em série

Um dos grandes entraves à utilização dos LEDs na iluminação é o fato de que eles são muito bons em gerar luzes coloridas. Para gerar a luz branca adequada à iluminação de ambientes é necessário empilhar os circuitos que geram luz vermelha, verde e azul, construindo um LED híbrido. Isso encarece a sua fabricação e diminui a eficiência do conjunto.

Agora os cientistas da Academia Chinesa de Ciências descobriram uma forma de construir uma estrutura em série, muito mais simples do que as atuais, e capaz de produzir até duas vezes mais luz do que um LED normal - o que equivale a dobrar sua eficiência energética, deixando as lâmpadas atuais ainda mais para trás quando o assunto é a economia de energia.
"Este trabalho é importante porque ele representa a realização da meta de produção de luz branca por meio de uma estrutura serial," diz Dongge Ma, coordenador da pesquisa.

Qualidade da luz branca

A produção de luz branca de alta qualidade é outro entrave a ser vencido pelos LEDs. Esta qualidade da luz é medida por um índice chamado CRI ("color-rendering index"), que estabelece um valor com base na capacidade de uma determinada fonte de luz em reproduzir a verdadeira cor do objeto que está sendo iluminado. Para uma luz de leitura, um CRI de 70 ou mais é considerado ótimo.

O novo LED em série é o primeiro a se aproximar dessa marca, produzindo uma luz branca com um CRI próximo de 70.
A outra vantagem do novo LED é que ele é feito de materiais orgânicos, à base de carbono - na prática o material é uma espécie de plástico - em vez dos materiais semicondutores muito mais caros, como o gálio. E a sua estrutura em série é muito mais simples de se fabricar do que a complicada superposição das camadas semicondutoras dos LEDs brancos atuais.

Livros eletrônicos

O Kindle, da Amazon, foi o primeiro leitor de livros eletrônicos a fazer sucesso comercial em larga escala. Inegavelmente, o poder de mercado da maior livraria online do mundo ajudou na grande aceitação, talvez até em uma proporção maior do que os crescentes avanços na área dos "papéis eletrônicos".

Mas a tecnologia agora poderá dar uma mão não apenas para melhorar o próprio Kindle, que tem uma tela preto e branco, mas também para permitir o lançamento de produtos concorrentes de melhor qualidade.

Imagem eletrofluídica

Engenheiros da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, desenvolveram uma tecnologia de imagem eletrofluídica que permite que, pela primeira vez, o e-paper alcance a mesma qualidade de imagem que um papel impresso.

A tecnologia, que gera imagens em cores, poderá ser utilizada também para melhorar a qualidade da imagem em telas de telefones celulares e em grandes telas usadas em anúncios comerciais.

"Não há comparação entre esta tecnologia e tudo o que já foi desenvolvido anteriormente," diz o pesquisador Jason Heikenfeld, um dos responsáveis pelo avanço. "Nós estamos à frente por uma larga margem em questões críticas como brilho, saturação de cor e velocidade de geração da imagem."

Tela EFD

Segundo o pesquisador, a nova tecnologia de imagem, batizada de EFD ("ElectroFluidic Display" - tela eletrofluídica), produz pixels coloridos opticamente superiores a todas as tecnologias atuais.
Como a camada ativa da tela tem menos de 15 micrômetros de espessura, os pesquisadores preveem que a tecnologia EFD viabilizará também as telas enroláveis, gerando equipamentos eletrônicos muito mais compactos.

Funcionamento da tela EFD

A tela eletrofluídica contém um reservatório onde é armazenada uma solução aquosa contendo os pigmentos que serão usados para formar os pixels. O reservatório é muito pequeno, ocupando entre 5 e 10% de toda a área da tela, o que mantém virtualmente invisível quando a tela está desligada.

A aplicação de uma tensão elétrica força os pigmentos para fora de seu reservatório e os espalha como uma camada fina por baixo da camada externa da tela. Desta forma, a tela assume cores e brilhos semelhantes aos apresentados por uma impressão colorida em uma revista ou livro.
Quando a tensão é interrompida, o líquido retorna rapidamente ao seu reservatório.

domingo, 3 de maio de 2009

Robô de Abraçar.. conheça-o!


Cientistas da Bélgica apresentaram o seu robô Probo, segundo eles um robô "de abraçar", desenvolvido como uma plataforma de pesquisas para estudar a interação entre humanos e robôs, com um foco especial nas crianças.

Quase um elefante

Um misto de bicho de pelúcia, elefante e Alf, o ETeimoso, o robô foi projetado para funcionar como uma interface de sociabilidade, proporcionando uma interação natural baseada no comportamento humano, inclusive com alterações de suas expressões "faciais."

O nome Probo bem de Proboscidea, a família dos elefantes. A ideia de criar um animal fictício, em vez de reproduzir um animal conhecido, como um gato ou cachorro, é que essa última alternativa criaria expectativas sobre o seu comportamento, inibindo uma interação mais natural.

Interação entre humanos e robôs

O objetivo dos pesquisadores é desenvolver formas de interação entre os humanos e robôs que possam permitir a convivência quando essas máquinas inteligentes começarem a ser utilizadas em larga escala em ambientes domésticos.

Segundo eles, as primeiras tarefas que caberão aos robôs serão os cuidados de crianças, idosos e pessoas doentes. Para que isso seja possível é essencial que os robôs sejam capazes de adquirir capacidades cognitivas suficientes para serem capazes de se adaptar às diferentes situações do dia-a-dia.

Mais de 60% da comunicação entre humanos se faz de forma não-verbal, com as expressões faciais sendo responsáveis não apenas por transmitir emoções, mas para dar sentido às palavras. Desta forma, é essencial que os robôs sejam capazes de compreender e reproduzir essas expressões.

Emoções dos robôs

O Probo é dotado de 20 motores de precisão para mexer as diversas porções de seu rosto e de sua tromba, sensores para detectar os abraços, um computador para processamento e uma tela sensível ao toque.

Neste estágio, o Probo ainda não é autônomo, tendo suas ações controladas pelos pesquisadores. Na próxima versão ele receberá câmeras digitais, para funcionarem como olhos, diversos microfones e novos sensores de toque. Os pesquisadores estão trabalhando no programa de controle para inclusão desses equipamentos, que deverão tornar o Probo um robô autônomo.

Nos primeiros testes, as crianças conseguiram decifrar 88% das emoções expressas pelo Probo - surpresa, nojo, raiva, tristeza, tédio, sonolência, relaxamento e felicidade.

sábado, 2 de maio de 2009

Twitter usado com o pensamento

Blogar usando 140 caracteres ou menos não parece ser algo que canse muito os dedos na digitação ou que desgaste muito o teclado. Mas o pesquisador Adam Wilson queria maior comodidade na sua microblogagem e inventou uma interface cérebro-Twitter que permite que os posts sejam feitos usando apenas o pensamento.

A mensagem que marcou a estreia da interface cérebro-Twitter tinha apenas 23 letras: using EEG to send tweet (usando eletroencefalograma para twitar).

Ferramenta para deficientes

O significado da demonstração, contudo, vai além: ela ilustra uma nova forma por meio da qual pessoas imobilizadas podem usar interfaces relativamente simples para se conectar com o mundo exterior.

O objetivo de Wilson não era fazer propaganda da já famosa ferramenta de microblogagem. Ele é parte de um grupo de pesquisadores da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, que trabalha para aperfeiçoar sistemas de comunicações para pacientes hospitalizados e para pessoas com deficiências físicas, mas cujos cérebros funcionam bem.
Entre os alvos dessas novas tecnologias estão pessoas que sofrem de esclerose amiotrófica lateral, vítimas de derrames ou de danos na medula espinhal.

Interface cerebral

Eletrodos instalados em uma espécie de capacete flexível detectam os sinais elétricos do cérebro e os transformam em ações físicas, como mover o cursor na tela do computador.
As diversas letras do alfabeto são mostradas na tela, como se fossem um teclado.
"Cada uma delas pisca individualmente," explica o Dr. Justin Williams, orientador da pesquisa. "E o que o seu cérebro faz é, se você está olhando para o R na tela e todas as outras letras estão piscando, nada acontece. Mas quando o R pisca, sua atividade cerebral muda porque há uma alteração em algo que você está prestando atenção."

Essa alteração momentânea no cérebro é entendida pelo sistema como o seu desejo de selecionar a letra R. E assim por diante, até completar a mensagem.

A câmera mais rápida do mundo

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, criaram um novo tipo de câmera filmadora ultrarrápida que quebra as barreiras tradicionais entre as câmeras fotográficas tradicionais, as filmadoras e os microscópios eletrônicos.

Para observar eventos que ocorrem em altíssima velocidade, como ondas de choque, atividades neurais ou mesmo as comunicações entre células vivas, é necessário capturar milhões ou bilhões de imagens a cada segundo. Até hoje, nenhuma câmara sequer se aproximava dessa capacidade.
A nova câmera alcança esses objetivos alterando radicalmente o conceito utilizado atualmente para a captura de imagens ópticas.

Captura de imagens em alta velocidade

São encontradas no mercado câmeras profissionais digitais capazes de capturar 1.000 quadros por segundo, o suficiente para fazer imagens espetaculares de eventos em macroescala, mas incapazes de capturar os eventos físicos e biológicos fundamentais.
Em comparação, a nova câmera ultrarrápida é capaz de capturar 6 milhões de quadros por segundo. O seu tempo de exposição (a velocidade do seu obturador) é de meros 440 picossegundos - 1 picossegundo equivale a 1 segundo dividido por 1 trilhão.

Câmera sem CCD

As câmeras digitais funcionam com base em sensores de luz, que podem ser um CCD (charge-coupled device) ou um CMOS (complementary metal-oxide semiconductor). Essa nova filmadora-microscópio dispensa esses sensores.

Ela captura as imagens emitindo um pulso de laser ultracurto - um flash de luz com uma duração de 1 bilionésimo de segundo. Ela então converte cada pulso em um fluxo contínuo de dados seriais que lembram os dados circulando ao longo de uma fibra óptica.

Utilizando uma técnica conhecida como transformada de Fourier dispersiva amplificada, esses pulsos de laser, cada um contendo uma imagem inteira, são amplificados e como que "esticados" no tempo, a ponto de poderem ser capturados por um digitalizador eletrônico e registrados na forma de uma imagem.

Amplificação de imagens ópticas

Fazer filmes em altíssima velocidade apresenta várias dificuldades, a principal delas sendo o fato de que a câmera se torna cada vez menos sensível à medida que a velocidade de captura das imagens aumenta. É fácil entender por quê: quando a velocidade é maior, diminui o tempo disponível para se coletar os fótons da imagem. Além de capturar um sinal mais fraco - uma menor quantidade de fótons - o sistema fica cada vez mais sensível ao ruído térmico.

A nova câmera resolve esse problema porque ela é a primeira do mundo a efetuar a amplificação de imagens ópticas. É por isso que ela está sendo chamada de microscópio amplificado serial temporizado (STEAM - serial time-encoded amplified microscopy)

Câmera mais rápida do mundo

"Nossa tecnologia STEAM permite o imageamento contínuo em tempo real numa velocidade acima dos 6 MHz, uma velocidade de obturador de menos de 450 picossegundos e um ganho óptico de mais de 300 - a mais rápida câmera contínua do mundo, útil para estudar fenômenos rápidos em química, física e biologia," afirma o pesquisador Keisuke Goda, que desenvolveu a nova câmera-microscópio juntamente com seus colegas Kevin Tsia e Bahram Jalali.

Aplicações da câmera ultrarrápida

Uma das aplicações vislumbradas para a nova câmera é a citometria de fluxo, uma técnica utilizada para fazer exames de sangue. Os analisadores de sangue tradicionais podem contar as células e extrair informações sobre o seu tamanho, mas não conseguem fazer imagens de cada célula porque as câmeras não são nem rápidas e nem sensíveis o suficiente.
Mas essas imagens de células individuais são necessárias para distinguir as células doentes das células sadias. Hoje elas são fotografadas manualmente sob um microscópio, numa tarefa demorada e pouco precisa.

Os pesquisadores afirmam ser difícil imaginar todas as aplicações para a nova câmera, mas o campo das ciências biológicas e biomédicas parece ser seu ambiente natural de uso.

Nanotecnologia

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram uma técnica para a fabricação de nanofibras por eletrofiação, um processo que possibilita a obtenção de fibras com superfície de contato muito maior do que as produzidas normalmente.
Nanofibras têm diâmetros de bilionésimos de metro, milhares de vezes menores do que uma fibra têxtil comum. Os pesquisadores já solicitaram registro da patente da nova técnica junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Eletrofiação

"A eletrofiação de nanofibras de nanocompósitos poliméricos é um processo novo. A vantagem de adicionar partículas nanométricas aos polímeros se deve à melhora substancial das propriedades mecânicas, às propriedades de barreira a diversos gases e vapores e também ao aumento da taxa de biodegradabilidade", disse Rosario Elida Suman Bretas, professora do Departamento de Engenharia de Materiais da UFSCar, à Agência FAPESP.

A coordenadora dos projetos de pesquisa explica que os nanocompósitos poliméricos são materiais compostos no qual a matriz (fase em maior quantidade) é um polímero e a fase dispersa (em menor quantidade) é uma partícula inorgânica de tamanho nanométrico.
"Mas, para que ocorra essa melhoria substancial, é necessário que as nanopartículas formem uma estrutura esfoliada. Ou seja, teoricamente e idealmente, cada nanopartícula deveria estar ligada ao polímero e se encontrar bem dispersa e bem distribuída por meio de todo o polímero", disse.

Polímero com argila

Como os polímeros são extremamente viscosos, obter a esfoliação e dispersão da nanopartícula é um processo muito complexo. O grupo conseguiu eletrofiar nanocompósitos de poliamida 66 (PA66) com nanoargila montmorilonita (MMT). Por isso, foi solicitada a patente.
"Também fizemos com poliamida 6 (PA6) com MMT, policaprolactona (PCL) com MMT e polihidroxibutirato (PHB) com MMT. Estamos tentando eletrofiar poliácido láctico (PLLA) com MMT e poliuretano (PU) biodegradável com MMT, entre outros. Mas é importante ressaltar que as PA66 e PA6 não são biodegradáveis, enquanto que os polímeros PCL, PHB, PLLA e PU são biodegradáveis", disse.

O trabalho futuro de aplicação dessas nanofibras será feito em conjunto com as equipes dos professores Luc Averous, do Laboratório de Engenharia de Polímeros para Altas Tecnologias (LIPHT-ECPM) de Estrasburgo, França, e de Rodrigo Lambert Oréfice, do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da UFMG.

Aplicações das nanofibras

A professora da UFSCar explica que as nanofibras possuem a vantagem de terem uma área superficial extremamente elevada. São aplicáveis em diversas áreas, como medicina - em enxertos de pele artificial, suportes para crescimento celular de órgãos in situ, suportes para crescimento celular, crescimento de vasos capilares, liberação de fármacos e filtração de vírus e bactérias - ou engenharia, por exemplo, na filtração de partículas micrométricas em tecidos especiais.

Como funciona a eletrofiação

A eletrofiação é um processo que consiste na aplicação de forças eletrostáticas e de arraste para produzir fibras interligadas e com diâmetros muito pequenos, na ordem de nanômetros. O método consiste em aplicar um campo elétrico elevado a uma solução do polímero contida dentro de um capilar.

"Quando o campo elétrico se torna maior do que a tensão superficial da solução, esta sai na forma de um jato do capilar o qual, devido às instabilidades de origem viscoelástica, divide-se em milhares de nanofibras", disse Rosario, acrescentando que fazer nanofibras pelos métodos convencionais usados em fibras têxteis é muito difícil.

As vantagens do novo método, segundo ela, são a obtenção de fibras de diâmetro nanométrico que não podem ser obtidas por outro método convencional de fiação e a utilização de solventes não-tóxicos.
"Mas nem todos os polímeros são facilmente solúveis como o polietileno e o polipropileno. E a produção em grandes quantidades ainda é limitada e há necessidade de proteção contra descargas elétricas", ressaltou.

Nanocompósitos

Rosario conta que essa foi a primeira vez que se produziu no Brasil nanofibras de nanocompósitos com a nova técnica. "É necessário lembrar que a obtenção dos nanocompósitos, no nosso caso, foi feita pelo processo de intercalação no estado fundido. A produção em grande escala é viável, mas não temos feito estudos sobre esse aspecto", disse.
O processo de intercalação no estado fundido consiste em misturar as nanopartículas com o polímero fundido. Existem outros dois métodos: intercalação por dissolução e intercalação por polimerização in situ.

"O método do fundido é o mais simples tecnicamente; porém, como os polímeros são extremamente viscoelásticos é muito difícil fazer a mistura e esfoliar as nanopartículas. Isso se deve porque o processo requer equipamentos de mistura que exerçam elevadas forças sobre as nanopartículas e o polímero (para fazer a esfoliação) e que permitam o aquecimento dos mesmos (para fazer a distribuição homogênea das nanopartículas através de todo o polímero)", explicou a professora da UFSCar.